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 CONVERSA DE ECONOMISTA por Antônio Augusto Ribeiro Brandão

ANTONIO AUGUSTO RIBEIRO BRANDÃO

Escrevi o artigo “Base Monetária” sobre a tese de economistas heterodoxos originários de universidades americanas e encampados por professores brasileiros, mas ainda em discussão pela Academia, que considera a chamada ‘Nova Macroeconomia’ e sua “Teoria Monetária Moderna’ – TMM como superando a Teoria Quantitativa da Moeda e sua velocidade de circulação, e a Base Monetária e seu efeito multiplicador.

*Antônio Augusto Ribeiro Brandão

A economia é uma ciência social que volta a ser mais política, esta cada vez mais judicializada. Valor e preço são conceitos básicos: preço é o valor expresso em moeda, mas o valor dos bens e serviços a gente atribui. Por exemplo, os usos e costumes atuais da nossa sociedade cada vez mais perdem valor, mas tem um ‘preço a’ ser pago e que não é em forma de moeda, desafios às atuais gerações.

Quando ainda não se falava em Pandemia, meu livro bilíngue “Desafios à teoria econômica”, editado em 2014, já anunciava a crise no mercado financeiro dos Estados Unidos, com sérias repercussões em países da Europa e emergentes, como o Brasil; Agora e doravante, os problemas gerados pela COVID-19 ‘escancararam’ a realidade em que estamos vivendo: extrema pobreza e milhões de desempregados a exigir cada vez mais programas emergenciais de transferência de renda, um paliativo que eleva a dívida pública e não resolve as causas principais dos problemas.

Escrevi o artigo “Base Monetária”, publicado neste Jornal, edição do dia 14 do corrente, sobre a tese de economistas heterodoxos originários de universidades americanas e encampados por professores brasileiros, mas ainda em discussão pela Academia, que considera a chamada ‘Nova Macroeconomia’ e sua “Teoria Monetária Moderna’ – TMM como superando a Teoria Quantitativa da Moeda e sua velocidade de circulação, e a Base Monetária e seu efeito multiplicador.

O artigo faz diversas considerações a respeito dessa discussão, que chegou a ser objeto de uma sugestão de pesquisa acadêmica, a ser realizada por professores e alunos do curso de Economia da UFMA, em colaboração com o Conselho Regional de Economia, infelizmente ainda sem um protagonismo positivo das partes.

Quanto ao assunto abordado nesse artigo e a sugestão da pesquisa decorrente, muitos economistas reconhecem não ser fácil o engajamento nesse tema sugestivo e ao mesmo tempo difícil. Se ainda estivessem no exercício do magistério na UFMA, como eu, dizem, seria mais fácil arregimentar contribuições teóricas de professores e alunos incentivados por premiação de natureza acadêmica.

A verdade, contudo, é que mesmo esses professores que continuam ensinando, em colaboração com economistas profissionais, ainda não se animaram a enveredar por essa pesquisa, porem continuo insistindo em colocar esse tema novo à abordagem pela universidade pública. É um tema desafiador, reconheço, mas não pode ser simplesmente ignorado.

Com o objetivo de realizar essa pesquisa, estou disponibilizando minha experiência profissional e, sem exigir nada em troca, já forneci aos colegas do Departamento de Economia da UFMA, diretores e professores, em colaboração com o Conselho Regional de Economia, inclusive a metodologia do respectivo processo de trabalho e seu conjunto de tarefas.

Trabalhei desde janeiro de 1954 a dezembro de 2020, inclusive 30 anos no magistério superior, na UEMA e na UFMA. Quando me formei, em 1959, pensei que o Brasil seria um país rico, que a Universidade pública continuaria crescendo em qualidade, que as Academias tivessem um protagonismo modernizado, mas não foi o que aconteceu.

E veio a pandemia, que penso está sendo um castigo dos Céus, para ‘escancarar’ a pobreza do Brasil e de 40 milhões de pessoas famintas; 15 milhões de desempregados e outros tantos que deixaram de procurar emprego; ricos ficando cada vez mais ricos; poderes da República sem harmonia e interdependência entre si; ausência de novas lideranças em meio à urgente Reforma Política e uma Constituição carente de reforma.

Lembraram-me da “mão invisível do mercado de Adam Smith e que na política também há essa mão invisível, que as forças antagônicas vão se ajustando após os conflitos que são cíclicos e inerentes à atividade humana. Isso quando deixamos o sistema democrático funcionar livremente.”

Nesse longo tempo trabalhando e ensinando militei mais no setor público, em Brasília e Rio de Janeiro, São Luís e Caxias. Na minha terra, entre 2001/2004, entre outros cargos, fui Secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (na época denominada Gerência). Segundo soube, fui protagonista da sessão mais longa realizada pela Câmara Municipal de Caxias, para ouvir-me.

Na Secretaria de Planejamento e Orçamento –  SEPLAN, da Prefeitura de São Luís – onde também fui Secretário de Administração, entre 1971/74, na administração Haroldo Tavares – sou um recordista, porque fiquei praticamente no mesmo cargo desde a gestão Tadeu Palácio, confirmado pelos prefeitos João Castelo e Edivaldo Holanda Jr., entre 2005/2020.

Pronto, o desafio está lançado e no qual estou disponibilizando toda essa minha modesta experiência profissional. Vamos ver se há alguma reação.

*Economista

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