
Sergio Tamer,
Professor e advogado, é presidente do Centro de Estudos Constitucionais e de Gestão Pública – CECGP
Em que pese o seu reconhecido crescimento econômico, o desenvolvimento social do Maranhão continua sofrível, basta que se veja, dentre outros indicadores, o seu posicionamento no IDH entre os demais estados da Federação. Há boas políticas, boas intenções, mas falta o controle da execução e maior acuidade na avaliação de resultados. A dinheirama toda que vem sendo investida vai se perdendo pelo caminho torto desse descontrole, a considerar os dados até aquí obtidos. Recentemente, na cidade de Zé Doca, foi “descoberto” um IFMA abandonado, na localidade Jozias. Prefeitos descompromissados com a causa fazem o que bem entendem e geralmente entendem mal. Daí se dizer que não bastam construir escolas, é preciso mantê-las adequadamente, conservá-las com reformas periódicas e, o mais importante, ofertar uma educação de qualidade.
No começo, com o avanço da tecnologia, parecia que apenas o setor industrial seria atingido pela substituição da mão de obra humana por máquinas e robôs. No entanto, avanços recentes no campo da Inteligência Artificial mostram que profissionais de escritórios também estão sob ameaça, o que enseja vislumbrar uma nova realidade nas relações laborais e que não tardará a chegar com força em nosso Estado, ou seja, a era do trabalho sem emprego. A educação, nesse contexto, joga um papel fundamental em face das novas habilidades que são requeridas: criatividade, inteligência emocional e habilidades sociais.
O ensino tradicional, por sua vez, e na visão dos especialistas, deve mudar rapidamente. O profissional deverá colecionar habilidades ao invés de credenciais. Um pequeno exemplo de nossa defasagem: no Brasil, 8% dos jovens fazem formação técnica enquanto nos países emergentes bem-sucedidos, acima de 50% dos jovens. Precisamos mudar, com urgência, nosso modelo de ensino. A sua reestruturação é necessária e nela se inclui tanto uma mudança no conteúdo programático, como igualmente a adoção de uma gestão mais moderna e eficiente. Temos que acompanhar a dinâmica de um mercado profissional cada vez mais exigente, que requer, além de um bom profissional, um cidadão com múltiplas habilidades. Não podemos continuar com vagas sobrando sem serem preenchidas por falta de preparo mínimo para a sua ocupação! Não basta, portanto, reconhecer ao trabalho o valor de direito fundamental, é preciso torná-lo viável por meio de uma educação condizente com estes novos tempos, isto é, uma autêntica educação voltada para o desenvolvimento.
É necessário, assim, que os cidadãos estejam preparados para viver e trabalhar em um mundo digitalizado e grande parte dessa incumbência cabe ao Estado, por meio de políticas públicas. Elas devem, sobretudo, incentivar a cooperação interdisciplinar entre empresas, universidades e faculdades, instituições científicas e políticas, associações, sindicatos e a sociedade civil. Cumpre ao governo liderar esse processo junto aos prefeitos do Maranhão. Chegou a hora da grande arracanda nesse sentido e acreditamos que 2026 será um ano promissor.
O que não se pode perder de vista, dentro desse torvelinho originado pela nova economia, é que a democracia, para que exista plenamente, tem que ir de mãos dadas com vários companheiros de viagem, entre os quais, como nos mostra o cientista político americano Robert Dahal, estão a cultura política, o desenvolvimento econômico e a modernização social.
Educar para desenvolver o Estado significa, dentro dessa ótica, implementar um processo que vai além do conteúdo, mas que tenha por foco uma formação integral do indivíduo como cidadão crítico e ativo. Nesse contexto, o Maranhão precisa de políticas integradas, investimento humano e económico, e uma forte componente de justiça social para alcançar um desenvolvimento social sustentável e equitativo.
Assim, indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) não podem mais colocar o Estado em posição tão desfavorável, onde o último dado amplamente divulgado, referente a 2021 (divulgado em 2024), mostrava o Maranhão como o estado com o menor IDH do Brasil, com um valor de 0,676. Agora, no entanto, tem sido observado uma tendência de melhoria gradual nesse índice de 2021 para cá e espera-se que o próximo levantamento do IBGE nos revele um resultado realmente alvissareiro.
Salve 2026!