Em ConJur
O criminalista Arnaldo Malheiros Filho morreu nesta terça-feira (24/5), em São Paulo. O advogado, um dos mais admirados na área, estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, por conta de um transplante. Malheiros tinha 65 anos e era conhecido pela convicção que tinha de que estava na profissão certa: “Gosto da liberdade, tanto a que a profissão liberal me dá, como a liberdade das pessoas que eu defendo. Eu não seria um bom acusador e também creio que não sirvo para julgar”, disse, em entrevista à ConJur, em 2006.

Na mesma conversa, afirmou que a defesa de figuras de destaque na imprensa e já previamente condenados pela imprensa — como Delúbio Soares, Henrique Meirelles, Silvio Pereira e Edemar Cid Ferreira —, na maior parte das vezes, faz melhorar a defesa. “Dá mais gás ao advogado. É o desafio.” [Clique aqui para ler a entrevista].
Conhecido pela vasta cultura, Malheiros tinha grande afeição aos livros. Ao falar sobre as obras literárias mais importantes de sua vida, a pedido daConJur, contou: "Tenho uma forte ligação com o livro, até porque fui conferente de revisão, revisor, copidesque e produtor da Editora Revista dos Tribunais; amo o livro. Mas, o importante não é o livro, são as leituras". [Clique aqui para ler o artigo]
Dono de memória prodigiosa, grande contador de casos, Malheiros foi um dos conselheiros que participaram dos planos da criação do site Consultor Jurídico e da coleção Anuário da Justiça. Leitor atento, exigente e crítico, o advogado sempre colaborou não apenas com ideias e pautas como apontando erros de gramática, lógica ou de informação.
Do círculo íntimo de outro dos grandes criminalistas brasileiros, Márcio Thomaz Bastos, Malheiros gostava de contar histórias sobre a carreira dos dois nos tribunais. Em entrevista, resumiu: "O Márcio nunca foi um estudioso de Direito Penal. Mas ele era esse cara que tinha um feelingtremendo, tinha um raciocínio estratégico absolutamente invejável e tinha paixão, tinha tesão". [Clique aqui e aqui para ler a entrevista]
Bom de briga
Para a advocacia criminal, que se vê em um momento delicado e tem sofrido ataques por causa dos clientes que defende, a perda de Malheiros é muito sentida.
Veja o que disseram advogados:
Sônia Ráo, criminalista
"Nesse momento tão difícil para a advocacia criminal perdemos um grande guerreiro na luta pelo direito de defesa. Grande amigo, advogado brilhante e apaixonado, sentiremos muito a sua falta."
Alberto Zacharias Toron, criminalista
"Arnaldo Malheiros vai deixar saudades não apenas entre os advogados criminais, mas sobretudo na família forense como um todo. Era um homem de rara inteligência, humor finíssimo e uma conversa dessas que a gente nunca esquece. Ele sempre tinha casos para contar, histórias antigas e novas, das quais seus clientes e a advocacia vão ficar privados. Sentirei muitas saudades do Arnaldo. Tinha uma admiração enorme por ele e fiquei muito triste por não ter lhe dado um abraço de despedida."
Marcelo Feller, criminalista
"A advocacia criminal perde um grande nome, o país perde um grande nome. Dia de luto para a justiça criminal como um todo."
Movimento de Defesa da Advocacia (MDA)
"Vai-se um grande advogado, que sempre lutou pelas prerrogativas da profissão, e um ser humano com qualidade ímpares. Uma perda realmente lastimável."