Publicado por Wagner Francesco em JuBrasil
Dizia Nietzsche: "Não existem fatos – apenas interpretação dos fatos. Não há fenômenos morais, mas apenas uma interpretação moral de fenômenos."
E o Direito é interpretação – e interpretação é como o vento: este sopra onde quer; você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai. (Jo 3:8).
O problema é que a gente tem uma mania desgraçada de se apegar à verdade, de se iludir com a certeza e pior: de achar que a verdade e a certeza são justamente aquilo que dizemos.
Por que digo isto? É que sempre que no Direito – em especial o ligado à política – a nossa interpretação não é a acatada a gente deixa resplandecer o nosso complexo de superioridade: este mundo não presta!

Dizem isto como se o mundo só fosse bom se fosse do jeito que está nestas exclusivas cabeças. O mundo é bom e é bom justamente porque temos a liberdade para interpretar.
A gente tem que aprender que a nossa opinião nem sempre vai ser acatada (por mais legal que ela seja) e que nem sempre vamos ganhar. Certa feita um professor me disse: o advogado tem que aprender a perder e a ser contrariado, pois senão vai morrer de depressão rapidinho.
O Mundo não é ruim porque não é como pensamos. O Juiz não é ruim só porque não deferiu o nosso pedido. O problema não é o mundo, mas nós que ainda não aceitamos que, no máximo, somos poeiras no universo. Ou como dizia Nietzsche: Contra a soberba – Não se encha de ar: senão basta uma alfinetada para o estourar.