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A PRIMEIRA VEZ QUE VI NOVA YORK, por Antônio Augusto Ribeiro Brandão

TORRES GÊMEAS

Tudo aconteceu há quarenta anos atrás…

Voltando à visita ao WTC lembro-me bem daquele dia, uma quinta-feira: quando chegamos ao sul da Ilha e ficamos em frente às famosas Torres foi possível perceber a sua imponência: não eram apenas muito altas, mas possuíam uma arquitetura retilínea de linhas futuristas, como se os profissionais que as projetaram desejassem chegar ao Céu… 

*Antônio Augusto Ribeiro Brandão

Eu era então diretor da Companhia Progresso do Maranhão – CPM e da sua filiada Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – DTVM, órgãos integrantes do sistema financeiro estadual. Tínhamos relacionamentos com a ADEVAL (órgão representativo das empresas distribuidoras de valores) e com a ADECRENE (das empresas de crédito, financiamento e investimento), sediadas em São Paulo e em Recife, respectivamente; na capital de Pernambuco mensalmente era realizada  uma reunião, para tratar de assuntos pertinentes ao setor.

Em maio de 1980 os diretores da CPM e da DTVM foram  convidados pela ADEVAL a integrar uma comitiva de executivos do mercado financeiro brasileiro, a fim de participar de um importante Seminário sobre os mercados financeiro e de capitais americano na Universidade de Nova York – NYU, incluindo visitas a várias instituições daquela cidade. Fui designado à esse evento pela diretoria da DTVM em função do cargo desempenhado.

A programação oficial do Seminário, realizado entre os dias 9 e 13 de junho em tempo integral, incluía as seguintes professores e temas das palestras : Kavesh, “Introdução ao Sistema Econômico Americano”; Silber, “O Sistema Financeiro Americano”; Keenan, “Negociações no Mercado Aberto”; Sametz, “O Sistema NASDAQ” e “Desenvolvimentos recentes no Mercado Nacional”; Bloch, “Fiscalização no Mercado de Balcão” e “O papel do ‘Market Maker’ no Mercado de Balcão”; Garbade, “Commodities, Opções e Mercado Futuro”. Programava também as visitas: à Bolsa de Valores de Nova York, ao banco de investimentos Salomon Brother’s, à New York Commodities Exchange e New York Mercantile Exchange, e ao Banco Central de Nova York.

Vale ressaltar que a oportunidade de conviver com renomados professores da NYU e especialistas de mercado em muito contribuiu ao aprimoramento dos serviços prestados pela CPM e DTVM.

Quando chegou o mês de junho daquele ano embarcamos todos em São Paulo, com escala no Rio de Janeiro; daí fizemos voo foi direto até Nova York onde chegamos ao amanhecer, no aeroporto Kennedy – JFK, à bordo de um Boeing-747, o famoso ‘jumbo’ da PANAM. Ficamos hospedados no Sheraton City Square, na sétima avenida próximo à Broadway.

Ilha de Manhattan, Nova York, junho de 1980. Era o fim da estação do ano marcada pelo frio intenso e o sol começava a esquentar a capital do mundo. Naquele dia 12, após as visitas programadas pela NYU, estávamos na iminência de visitar o World Trade Center – WTC e suas famosas ‘torres gêmeas’.

Aqueles dias marcavam um suceder de fatos importantes, eventos ligados às nossas ocupações de então: palestras proferidas por professores da NYU e especialistas do mercado e visitas práticas às instituições financeiras. Foi nessa oportunidade que perguntei a um expositor, se o ‘crash’ de 1929 poderia repetir-se, e já escrevi sobre a resposta dada por ele relacionando-a à crise das hipotecas, a partir de 2008.

Quando a noite chegava íamos muito aos restaurantes da Broadway, de preferência os de comida italiana. Os que já haviam estado em Nova York tornavam-se cicerones de uma ida ao Maxwell’s Plum, na First Avenue, um bar onde se bebia em pé e não existe mais. As compras na Macy’s e ver as curiosidades de China Town, o bairro chinês cheio de letreiros chamativos, estavam no roteiro, também uma subida até o topo do  Empire State e depois visitar o campus da NYU, na praça Washington Square, no Village.

Um dos ‘pontos altos’, entretanto, pelo menos para mim, foi assistir à peça “Sugar Babies”, no Mark Hellinger Theatre, com Mickey Rooney e Ann Miller, astros do cinema dos meus tempos de adolescente, no Cine Rex, em Caxias.

Voltando à visita ao WTC lembro-me bem daquele dia, uma quinta-feira: quando chegamos ao sul da Ilha e ficamos em frente às famosas Torres foi possível perceber a sua imponência: não eram apenas muito altas, mas possuíam uma arquitetura retilínea de linhas futuristas, como se os profissionais que as projetaram desejassem chegar ao Céu.

O “hall” de uma delas (do lado Norte) dava acesso aos seus mais de cem elevadores, que subiam e desciam seus 107 andares a uma velocidade incrível; diariamente ali se cruzavam milhares de pessoas entre turistas e os que trabalhavam no local.

Sempre assessorados primeiro subimos até o 87º andar onde, através de funcionários, recebemos informações detalhadas sobre o WTC: estrutura toda de aço construída de forma a permitir leves oscilações provocadas pela força dos ventos e informações sobre toneladas de aço consumidas, tempo e custo da construção, operários e técnicos que ajudaram na grande obra. Os americanos orgulhavam-se daquele conjunto de duas torres, o mais alto do mundo naqueles tempos, pois representava a grandeza do capitalismo e sua supremacia mundial.

A programação incluía uma chegada ao 107º andar onde funcionava o famoso restaurante ‘Windows on the World’. Pensem num imenso salão retangular, todo envidraçado ao nível do chão, sem janelas definidas, com as suas mesas dispostas de forma a permitir uma visão ampla de Manhattan, em qualquer direção. Ficamos lá em cima até que a noite chegasse e as luzes da grande Metrópole começassem a acender, nos quatro pontos cardeais da Ilha.

Naquelas alturas pairava um sentimento de grandeza e de humildade ao mesmo tempo: a capacidade dos homens construtores daquela maravilha da engenharia mundial e a certeza de que outros, no futuro, poderiam repetir o grande feito.

Para mim ficou a lembrança daquele dias de junho, na ‘grande maçã’, especialmente do feliz dia 12, de uma tarde de quinta-feira, de clima ameno, em Nova York.

*Economista. Membro Honorário da ALL e da ACL. Filiado à IWA e ao Movimento ELOS Literários.

 

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