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Bom dia, professor Ericeira – por Lourival Serejo

Desembargador-Lourival-Serejo

“Existem pessoas que convivem com a gente de maneira reservada, tranquila, e não se percebe o valor das ações desenvolvidas por elas. É o caso do professor Ericeira. Ao longo de tantos anos o conhecemos advogando, ensinando, doutrinando e sempre escrevendo, livros, crônicas e artigos de elevada apreciação literária e científica.”…

 

LOURIVAL SEREJO

Presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão

Bom dia, professor Ericeira…

Há tempo que buscava as crônicas e artigos do professor João Batista Ericeira, nas edições dominicais de O Imparcial e não os encontrava. Procurei me informar e tomei conhecimento de que seu estado de saúde não está permitindo que escreva. Espero, esperamos, que se recupere em breve, para nos proporcionar suas cuidadosas análises e seus ensinamentos.

A sua ausência das páginas de O imparcial despertou-me a ideia de dar-lhe um “Bom Dia” e votos de recuperação, além de enfatizar que estamos sentindo sua falta.

Existem pessoas que convivem com a gente de maneira reservada, tranquila, e não se percebe o valor das ações desenvolvidas por elas. É o caso do professor Ericeira. Ao longo de tantos anos o conhecemos advogando, ensinando, doutrinando e sempre escrevendo, livros, crônicas e artigos de elevada apreciação literária e científica.

Um dos pontos que sempre me chamou a atenção nos artigos do amigo referia-se à política internacional. É um assunto pelo qual me interessei, desde o tempo da ditadura, quando não tínhamos uma imprensa livre e voltava-me para o noticiário internacional. Se fosse jornalista, optaria por essa especialidade.

No auditório da SVT Faculdade, fiz parte de uma mesa sobre a literatura latino-americana e os direitos humanos. Nesse evento, o professor Ericeira deu-nos uma aula sobre a obra de Vargas Llosa, A festa do bode, assinalando os detalhes literários e políticos do livro no que concerne ao foco na ditadura de Rafael Trujillo.

Muito antes, quando eu estava em Imperatriz, como juiz de direito, o confrade Ericeira convidou-me para comparecer em sala de aula, no campus da Ufma, para falar aos seus alunos sobre Recásens Siches.

Mas, ultimamente, nosso ponto principal de encontro era a Academia Maranhense de Letras Jurídicas, que esteve sob sua direção por muito tempo. Estávamos, portanto, sempre nos encontrando, seja fisicamente seja por seus escritos dominicais.

Se prestarmos atenção, encontraremos o nome do professor Ericeira ligado aos movimentos de vanguarda em São Luís. Foi ele o pioneiro em pesquisa judiciária no Maranhão, com seus trabalhos “Como decidem os juízes no Estado do Maranhão”, “Questão agrária”, “Extratos de jurisprudência eleitoral do Maranhão”. Tive a honra de escrever a orelha da sua obra “O olhar da Justiça”. Em “A reinvenção do Judiciário”, encontram-se análises inteligentes e sugestões inovadoras para as atividades judiciárias.

Em todos os lugares por onde passa, o confrade Ericeira vem deixando rastros do seu talento e lições da arte de cativar. Aliás, o seu pai, dono da DrogaNorte, já cultivava esse dom. Nossa farmácia de Viana era freguesa do senhor Ericeira. Ali comprei, por várias vezes, remédios a grosso em suas mãos e sempre fui bem atendido. Outro ponto relevante na personalidade do professor Ericeira é a ética. Os postulados éticos orientam suas atividades em todos os ângulos.

Por lembrar tudo isso, é que venho expressar neste “Bom Dia,” votos pela recuperação do estimado amigo, confrade e professor João Batista Ericeira, para alegria de todos os seus amigos.

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